Projeto apoiado pelo Somos Todos Amazonas promete hidrelétricas a partir de pequenos rios e riachos

Hidreo Energy Solutions desenvolve microgeração de energia a partir de fontes renováveis

Associar uma grande ideia a uma execução de ponta parece ser o segredo para o sucesso das novas startups, empresas de base tecnológica que têm crescimento rápido e escalável, sem grande aumento dos custos. O número de startups no Brasil cresceu 20 vezes nos últimos anos. Junto a isso, a preocupação com o meio ambiente parece ser fundamental para o crescimento econômico no momento. Sendo assim, a Hidreo Energy Solutions, startup curitibana que agora atua no Amazonas, traz soluções renováveis para a energia no país. 

“Estamos focados no desenvolvimento de soluções de microgeração de energia (até 75 kw) a partir de fontes renováveis. Hoje somos conhecidos pelo nosso principal produto: MCH – Micro Central Hidrelétrica, que é um equipamento capaz de gerar energia através de pequenos recursos hídricos, ou seja, pequenos rios, riachos, entre outros”, explica Felipe Wotecoski, fundador da startup. 

A empresa, que nasceu em Curitiba, viajou para o Norte do Brasil e pretende levar energia renovável a locais remotos, comunidades ribeirinhas e tribos indígenas, ainda sem acesso à eletricidade. Isso se tornou possível quando, através do Programa Prioritário de Economia Digital (PPED), a Hidreo Energy Solutions chegou ao Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) no final de 2019, por meio de parcerias antigas. “Já na primeira reunião percebemos que conseguiríamos avançar juntos na escrita de um novo projeto”, afirmou Wotecoski. 

Uma casa à margem de um rio no Amazonas
Imagem: Freepik

 

Produto adaptado para a região Norte

Para garantir a energia elétrica a ribeirinhos e comunidades isoladas do Amazonas, a Hidreo Energy Solutions precisou adaptar o produto desenvolvido no Sul às condições amazonenses. “Hoje o nosso equipamento, idealizado na região Sul, precisa de 15 metros de desnível e muito pouca água. Mas essa não é a característica da maioria dos rios da região Norte, que são rios com menos queda e mais densidade. Então, a máquina que estamos desenvolvendo junto com o PPED vai gerar energia a partir de 1,5 metro de queda. O impacto é direto para as pessoas que não têm acesso à energia elétrica”, explica Felipe. 

Criar as micro centrais hidrelétricas não é um conceito que termina em si mesmo. Pelo contrário, tudo parte da noção de responsabilidade com o futuro do planeta. A ideia é tornar possível uma forma de geração de energia mais sustentável, que não agrida a natureza. Isso acontece porque, ao contrário das fontes de energia mais tradicionais, não há geração de carbono, então o impacto é mínimo no meio ambiente. 

 

Descentralização energética

Para isso, a startup trabalha com o conceito de geração de energia distribuída, que nada mais é do que descentralizar o polo energético de apenas uma grande usina, como ocorre em Itaipu. A maior produção de energia hidrelétrica do mundo acontece justamente nesta base, localizada em Foz do Iguaçu, ao sul do país. Para que a energia produzida lá chegue, por exemplo, a São Paulo, ela é transmitida por uma média de 600 quilômetros de cabeamento. 

Além do gasto elevado para que essa transmissão aconteça, muita energia ainda é desperdiçada pelo caminho. Então, o conceito de geração distribuída, que nada mais é do que não ter uma geração centralizada provendo energia para o país inteiro, parece muito mais inteligente. Especialistas debatem que é a partir deste conceito que a humanidade pode começar a resolver o problema da energia no mundo. 

“A energia elétrica é um dos maiores problemas que a humanidade tem para resolver nos próximos 50 anos. Então, ela está na base das necessidades. Com energia eu consigo ter, por exemplo, uma geladeira para armazenar vacinas no meio das comunidades. Eu consigo um mínimo de conectividade para as pessoas conseguirem estudar e ter acesso a informações, ou seja, de fato melhorar a qualidade de vida das pessoas”, conclui o fundador da startup. 

 

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