Encontro das águas: porquê o Rio Negro e Solimões não se misturam

Rio de água preta e seu confluente de água barrenta percorrem 6 quilômetros até formar o rio Amazonas

Quando se fala no Amazonas é comum que a primeira associação seja feita com a Floresta Amazônica, maior floresta tropical do mundo e local que abriga a maior diversidade terrestre. O estado, no entanto, concentra também um grande polo digital – responsável por 8% do PIB total –, farto potencial turístico, além de contar com universidades que possuem tecnologia de ponta. Mas, apesar de ser rico em diversas áreas, os fenômenos naturais ainda são o ponto que mais chama a atenção de quem deseja visitar ou conhecer o Amazonas a fundo. 

Um destes fenômenos, o chamado Encontro das Águas, acontece na confluência do Rio Negro, de água preta, e do Rio Solimões, de água barrenta, onde as águas dos dois rios correm lado a lado sem se misturar, em uma extensão de aproximadamente 6 quilômetros. Depois que eles se juntam, passam a receber o nome de Rio Amazonas, que por sua vez é um dos principais meios econômicos e de transporte para os habitantes de Manaus. 

O Rio Negro é o principal afluente do estado do Amazonas e banha três países da América do Sul. Este rio, que percorre cerca de 1,7 mil quilômetros, nasce no leste da Colômbia, com o nome de Guainía. Depois, corre na direção nordeste e sul, formando a fronteira entre Colômbia e Venezuela. Ao se juntar com o canal Cassiquiare, recebe o nome de Rio Negro. Todo ano, com o degelo nos Andes, e a estação das chuvas na região Amazônica, o nível do rio sobe vários metros, principalmente entre junho e julho.     

Diante de um rio tão importante para o estado, não apenas pela extensão imensa, mas também para a subsistência de comunidades ribeirinhas, o fenômeno do Encontro das Águas acabou se tornando uma das principais atrações turísticas de Manaus. Cientistas do mundo inteiro visitam a região pelo fascínio de conseguir ver algo tão incomum produzido pela natureza. 

Entretanto, engana-se quem pensa que o Encontro das Águas acontece apenas entre o rio Negro e o rio Solimões. No estado amazonense e em algumas poucas cidades do mundo, ele ocorre em diferentes locais, mas estes dois são os rios mais famosos a presenciar este fenômeno. Os fatores para que isto ocorra na região variam desde questões geológicas, climáticas e termais, até o tamanho ou a acidez dos rios. 

O Rio Negro carrega uma grande quantidade de matéria orgânica desde sua nascente na Colômbia, aspecto que traz o tom escuro à sua água. Ele corre a cerca de 2 quilômetros por hora com uma temperatura de 28 °C. Já o Solimões, rio que nasce nos Andes peruanos, tem uma água de aspecto barroso devido à carga de sedimentos vindos da erosão de solos de origem vulcânica. Diferentemente do Negro, ele faz o percurso em uma velocidade aproximada de 4 a 6 quilômetros por hora a uma temperatura de 22°C. 

Não apenas a beleza, mas também o fato do Encontro das Águas  ser um fenômeno intrigante, faz com que muitos turistas coloquem a visita aos rios como prioridade quando viajam a Manaus. Por isso, dezenas de agências de turismo oferecem o passeio à região, realizado no Parque Ecológico de Janauari, em roteiros que costumam incluir uma volta pelos igarapés locais. Se o passeio for feito em barcos de menor porte, o visitante pode colocar as mãos na água durante a travessia e sentir a diferença de temperatura entre os dois rios. 

O período da cheia, que vai de janeiro a julho, é a melhor época para fazer um passeio de observação do encontro das águas, uma vez que se torna possível entrar nos braços dos rios, o que realça a beleza do fenômeno, além de dar a possibilidade de ver diversos animais, como pássaros, macacos e preguiças. 

O  Encontro das Águas é tão notável que atrai turistas do mundo inteiro, e chamou a atenção de um brasileiro em especial: o arquiteto Oscar Niemeyer. Em 2005, o profissional conhecido, dentre outros feitos, pelo projeto de Brasília, elaborou uma concepção de monumento para homenagear o fenômeno. Entre idas e vindas da prefeitura de Manaus e do governo amazonense, o desenho nunca saiu do papel, mas será sempre lembrado como um dos últimos trabalhos antes do falecimento de um brasileiro ilustre, que honrou uma das belezas de seu país. 

Imagem: Freepik

 

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