Artistas se unem em rede de solidariedade para ajudar o Amazonas com itens hospitalares

Manaus vive colapso com hospitais sem cilindros de oxigênio

Uma grande campanha de solidariedade para ajudar o Estado do Amazonas ganhou as mídias sociais nesta quinta-feira (14) no momento em que a crise causada pela pandemia do novo coronavírus atinge um momento crítico, especialmente em Manaus. Artistas criaram uma rede de apoio para arrecadar dinheiro, doações de cilindros de oxigênio, transporte e logística e vaquinha online. O montante será usado para compras de itens necessários aos atendimentos hospitalares da Covid-19 em Manaus

A situação do Amazonas é crítica. Manaus vive momento trágico em hospitais, sem oxigênio suficiente e doentes sendo transferidos com urgência para outros estados. A média móvel de mortes no estado cresceu 183% nos últimos 7 dias. Cemitérios não têm vagas. É uma crise sem precedentes e o número de casos de Covid-19 não para de crescer.

Em sua conta no Twitter, o youtuber Whindersson Nunes mobilizou a compra de cilindros de oxigênio, com adesão de personalidades, incluindo os atores Tatá Werneck e Bruno Gagliasso. A campanha vem esbarrando em problemas de logística, já que os tambores contendo o gás não podem ser transportados em aviões comerciais, por risco de explosão. 

Whindersson também conseguiu, na tarde desta sexta-feira (15), três aviões para levar ventiladores hospitalares (aparelhos BIPAP) a Manaus. Para ajudá-lo nessa força-tarefa, o humorista contou com o auxílio financeiro do DJ Alok e da dupla sertaneja Jorge e Mateus, além do apoio de parentes que residem no estado do Amazonas. 

 

Oxigênio é insuficiente e pacientes são transferidos para outros estados

Pela manhã, uma aeronave da FAB chegou a Manaus transportando cilindros de oxigênio vindos de São Paulo. Ao todo, são 9.300 kg, ou pouco mais de 7 mil metros cúbicos,  de oxigênio líquido para serem distribuídos com urgência nos hospitais da capital. Durante a fase atual de alta, tem sido necessário o uso de 70 mil metros cúbicos diariamente no estado, e a capacidade máxima de fornecimento local é 28 mil metros cúbicos. 

Com internações batendo recordes nas últimas semanas, unidades de saúde ficaram sem oxigênio, e o governo do estado autorizou a transferência de 235 pacientes, podendo chegar a 750, para oito estados: Ceará, Pernambuco, Goiás, Piauí, Maranhão, Brasília, Paraíba e Rio Grande do Norte. O poder executivo do Amazonas montou um grupo de apoio psicossocial para parentes e pacientes transferidos. 

O número de internações bateu o recorde negativo de 2.221 entre 1º e 12 de janeiro, maior número registrado desde abril do ano passado, quando o país estava no auge da crise sanitária. O governador Wilson Lima (PSC) anunciou, na quinta (14), um decreto que proíbe a circulação de pessoas entre 19h e 6h, válido por 10 dias, em todos os municípios do estado. Todas as atividades, com exceção dos serviços essenciais, também estão proibidas de abrir. 

 

Nova variante do coronavírus circula no Amazonas

Na terça-feira (12), a Fiocruz divulgou que uma nova variante do coronavírus foi encontrada no Amazonas. O ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo, afirmou que Manaus é prioridade nacional. A situação do estado é tão delicada que circulam nas redes vídeos de médicos e acompanhantes transportando cilindros de oxigênio nos próprios carros para levar aos hospitais. 

O Secretário da Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, confirmou ontem (14) que o estado passa por uma crise no abastecimento de oxigênio. Campêlo disse que o Ministério da Saúde, o governo do Amazonas e as Forças Armadas estão trabalhando no apoio logístico para a entrega de oxigênio para a rede estadual de saúde, com o transporte do gás de outros estados.

Foto: Prefeitura de Manaus

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