‘A sustentabilidade é o grande movimento do mundo agora’, afirma atriz Laila Zaid

Na pandemia, ela sentiu necessidade de adotar o consumo consciente no dia a dia

Quantos shopping centers existem na sua cidade? Por que o Instagram agora possui uma aba de vendas? Durante a pandemia, você também passou a fazer compras on-line? Esses são alguns dos questionamentos que retratam a sociedade de consumo em que vivemos: as compras parecem praticamente vitais para muitas pessoas. Na contramão dos números desenfreados e do consumo imediatista, cresce a ideia do “consumo consciente”, ou “consumo sustentável”. E o primeiro passo para entender esse conceito é perceber que o consumo de um produto ou serviço sempre carrega consigo consequências positivas e negativas. 

A atriz Laila Zaid optou por mudar seu estilo de vida durante a pandemia. Saiu do Rio de Janeiro, em uma fuga dos centros urbanos, e começou a entender mais a fundo os conceitos que já conhecia de sustentabilidade e consumo consciente. “Isso envolve pensar em todo ciclo do que você está consumindo. Ou seja, de onde o produto vem, o que ele precisou viver para chegar até mim, quanto de pegada de carbono ele deixa no transporte, qual vai ser o uso dele, e qual vai ser o seu destino final. Para mim, isso se traduz comprando de pequenos produtores próximos e gerando menos resíduo possível”, conta.

O ato de consumir afeta não apenas quem realiza a compra, mas o meio ambiente e a sociedade em geral. Atitudes como produzir menos lixo, pesquisar a origem e fabricação dos produtos e saber o impacto que os mesmos causam durante sua vida útil são alguns comportamentos de quem escolheu aderir a esse novo conceito. Para ser um consumidor consciente, é preciso ter um olhar atento, que vai se moldando de forma gradual. 

“Fui chegando nesse pensar aos poucos, já tem um tempo. Sou muito amiga da Aline Matulja, uma grande engenheira ambiental, que me trouxe muita informação. E aí aos poucos eu fui mudando uma coisa e outra. Se o processo é suave, se você não se atropela, ele é muito prazeroso. E quando você ganha esse olhar, você não consegue mais comprar sem pensar nisso. Até quando você está em uma rede gigante de supermercados, você olha para os produtos que estão nas prateleiras mais embaixo, que a embalagem é mais ecológica. É um olhar que você desperta”, completa Laila. 

Um relatório anual realizado pela Good Must Grow retrata os hábitos de consumo dos norte-americanos. Em 2020, os índices mostraram que os consumidores estão mais dispostos a adotar hábitos de consumo sustentável, como reduzir as compras, doar para instituições de caridade e dar preferência para empresas com responsabilidade socioambiental. Os dados apontam que essa mudança de comportamento está diretamente ligada ao fato de que muitos cidadãos perderam parte da renda por causa da pandemia do coronavírus. Para Laila, a pandemia também foi fator fundamental na escolha.

“Sempre fui da natureza e frequento o sítio que moro atualmente há muitos anos. Sempre quis ter a experiência de morar fora da cidade e a pandemia fez o chamado que faltava. Foi uma escolha minha e do meu companheiro. Temos um casal de filhos e o mais novo tinha acabado de completar um ano quando a pandemia estourou no Brasil. Pensamos que ir para o mato seria nossa opção mais saudável, e acabou sendo mesmo porque conseguimos estruturar a vida toda aqui. Então, nosso coletivo de educação todo veio, conseguimos montar uma escola. Nós já tínhamos uma agrofloresta toda instalada, indo para o seu quinto ano de vida, e já rendendo muita comida. A vida aqui realmente é apaixonante”. 

O consumidor é a parte final do ciclo de produção. Com isso, adotar essas medidas interfere diretamente em todo o ciclo, desde os estabelecimentos começarem a se responsabilizar de forma sustentável, até o crescimento de novos produtos e serviços com essa preocupação. A busca deixa de ser apenas por lucro e satisfação imediata. Agora, a preocupação ambiental se torna o foco principal.

“A sustentabilidade é o grande movimento do mundo agora. Ela começa em um universo pequeno, mas já chegou, por exemplo, no meio corporativo todo, com todas as grandes empresas investindo nisso. Acho que agora as pessoas estão começando a entender a necessidade de um estilo de vida mais sustentável. Nessa pandemia algumas epifanias aconteceram, então elas podem estar interessadas em um estilo de vida na natureza. O confinamento, as cidades cada vez mais opressoras, enfim, tudo leva a isso”, finaliza Laila. 

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